Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
Um
Ministério específico de Segurança Pública (Final)
René Ariel Dotti
A insegurança coletiva é um dos fatores de anomia em nosso
país
No primeiro
artigo desta série eu iniciei as observações sobre uma
entrevista do pré-candidato à presidência do Brasil, José
Serra (PSDB). Disse ele que “o governo federal precisa
mergulhar no tema de segurança porque a situação é muito
séria. Em nenhum Estado as secretarias de Justiça e da
Segurança Pública são a mesma coisa” (O Estado de São
Paulo, 28.04.10, p. A 7).
Essa
conclusão resulta da experiência de um homem público com
notável folha de bons serviços prestados à sociedade. Deputado
Federal constituinte (1987-1991), Deputado Federal
(1991-1995), Senador (1995-2003), ministro do Planejamento e
Orçamento (1995-1996), ministro da Saúde (1998-2002), Prefeito
Municipal (2005-2006) e governador de São Paulo (2007-2010).
Não se trata, portanto, de um neófito na vida parlamentar e
administrativa e muito menos de uma opinião pessoal ou mero
palpite que ocorre, geralmente, com promessas otimistas e nem
sempre factíveis de inúmeros candidatos a cargos eletivos que
praticam um tipo de estelionato eleitoral.
No entanto,
as pré-candidatas à mesma e honrosa investidura, Dilma Roussef
(PT) e Marina Silva (PV), manifestaram-se contrariamente a
esse projeto sob o pífio argumento de que um novo ministério,
específico para cuidar da Segurança Pública, é desnecessário
porque o Ministério da Justiça, em sua estrutura e
funcionamento atuais atende bem as duas áreas. Afirmação
mendaz; não se cumprem os objetivos de nenhuma dessas duas
pastas. A primeira tem a sua responsabilidade delegada às
unidades federativas em muito maior extensão que as
iniciativas, planos e projetos específicos para proporcionar à
população a segurança necessária. A segunda, deveria cuidar
dos assuntos da justiça brasileira em suas diversas formas de
realização: desde a primeira instância até os Tribunais
Superiores da República. A promessa constitucional da “razoável
duração do processo”, não está sendo cumprida
principalmente porque carece “dos meios que garantam a
celeridade de sua tramitação” (CF, art. 5º, LXXVIII).
Na entrevista
que concedeu na última segunda-feira (10.05), na CBN, José
Serra foi muito claro e lúcido na sustentação dessa idéia. Já
é tempo do governo federal atentar para o crescimento e o
triunfo do crime organizado em vários cantos das megalópoles,
além da infinidade de problemas gerados pelo tráfico de drogas
e as chacinas.
Estas não são
noticiadas pela condição das infelizes vítimas e sim pelo
número de mortos.
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 16.05.2010.
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