Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
Um
Ministério específico de Segurança Pública (I)
René Ariel Dotti
O debate público e
democrático das propostas dos candidatos
Um dos
direitos fundamentais declarado na Constituição é a Segurança,
ao lado de outros bens e interesses essenciais como a Vida, a
Liberdade, a Igualdade e a Propriedade. É elementar que o art.
5º da lei fundamental, ao relacionar tais direitos, não
exclui muitos outros, autônomos ou deles decorrentes, a
exemplo da Educação, Meio Ambiente e Habitação. Mas é
relevante destacar o relevo concedido à Segurança Pública que
é “dever do Estado, direito e responsabilidade de todos,
[e] é exercida para a preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio” (CF. art. 144).
Nessa
perspectiva, é muito oportuna a observação de que o nosso país
enfrenta uma onda crescente de criminalidade organizada
dirigida contra os valores essenciais ao exercício pleno da
cidadania e aos interesses públicos. Em relação aos
indivíduos, nos crimes patrimoniais violentos (sequestros,
roubo, etc.) e quanto ao Estado, nos delitos contra o
patrimônio público, a probidade administrativa e outros
ilícitos (fraudes em licitações, corrupção, tráfico de
influência, etc.).
É elementar
que as notícias e reportagens sobre as chacinas, o tráfico
ilícito de drogas e outros gravíssimos delitos coletivos são
diuturnamente transmitidas para as populações do imenso
território nacional e pelos mais diversos veículos de
comunicação social. Como atenuar o sentimento de insegurança
que invade as ruas e as casas de milhões de cidadãos que
sofrem os efeitos da anomia?
Essa questão,
da maior atualidade e importância, começa a ser considerada
por um dos pré-candidatos à presidência do Brasil: José Serra
(PSDB). Essa foi a boa notícia divulgada pela mídia no curso
da semana quando o ex-governador de São Paulo esteve na Bahia.
A proposta não irá aumentar a carga já existente da
hipertrofia burocrática que cresceu geometricamente durante o
governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A esse
respeito, disse o tucano: “O governo federal precisa
mergulhar no tema da segurança porque a situação é muito
séria. Em nenhum Estado as secretarias da Justiça e da
Segurança são a mesma coisa”. (O Estado de São Paulo,
28.04.10, p. A7). Essa foi a resposta dada à pré-candidata
Dilma Roussef (PT) que alegou a desnecessidade da criação do
ministério específico. É lamentável essa falta de visão
administrativa quando é antigo e notório que o ministério se
dedica muito mais aos problemas dos órgãos da Segurança
Pública que às necessidades da Justiça. (Segue).
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 02.05.2010.
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