Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
O
problema particular da escolha da profissão (I)
René Ariel Dotti
Sempre é tempo de
mudar para o bom desempenho no futuro
Um dos
assuntos de interesse familiar e que não raro se transforma em
problema grave é a escolha da futura carreira profissional dos
jovens. Muitas vezes o profissional do Direito ou de outra
categoria universitária poderia ser melhor contador,
securitário, representante comercial, empresário, técnico em
informática ou qualquer profissão – mesmo sem o selo da
academia – que Advogado, Juiz, membro do Ministério Público ou
da Polícia. O tempo dos vestibulares é um grande dilema para
muitos e época de incerteza e insegurança para os
adolescentes. A escolha infeliz leva muitos alunos, que
começam um determinado curso e depois de algum tempo prestam
novo vestibular, a buscar um novo sonho, um novo curso.
Os
candidatos com maior angústia na expectativa de ingresso
na Universidade são os próprios pais. Eles são submetidos a um
grave desafio espiritual, a uma provação mais rigorosa que a
imposta aos seus filhos e que costuma ser enfrentada com todas
as esperanças, orações e promessas.
Mas a
ansiedade se converte em frustração familiar quando o
estudante aprovado vem a desistir de continuar na vida
universitária. E essa iniciativa, segundo autoridades do
ensino superior, vem se ampliando para gerar evasões que têm
algumas causas bem específicas: a) a
necessidade de trabalhar; b) a decepção com o
curso; c) os problemas vocacionais.
A escolha da
futura carreira se dá, para a grande maioria dos estudantes,
em um momento precoce, quando ainda não existe a adequada
visão do futuro e múltiplas opções para ser doutor ou não.
Após o segundo grau, o estudante deve ser bem informado e
orientado para a escolha que permita atender à sua vocação,
cujos sinais podem ser identificados pela sua personalidade e
estilo de vida familiar e social. Essa fase intermediária é
muito delicada e fundamental na vida dos adolescentes.
Na minha
experiência de advogado e professor aconselhei muitos alunos
em dúvida para um exame de consciência e uma decisão corajosa
quando não existe a sintonia entre a vocação e a atividade
acadêmica. E me sinto confortado com algumas deserções
que provoquei, não obstante o saldo de adesões tenha
sido bem maior porque muitos estudantes em dúvida receberam
estímulo para o presente e sugestões para o futuro.
Por isso, eu
renovo a minha mensagem aos estudantes que descobriram, depois
do ingresso na universidade, que não estão em sintonia com a
escolha:
A vida é
muito curta para ser menor; sempre é tempo de mudar para
melhor.
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 21.03.2010.
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