Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :

A Ordem dos Advogados e os tipos inesquecíveis (I)

René Ariel Dotti

Alguns detalhes marcantes de Eduardo Rocha Virmond

            A revista Seleções Reader’s Digest tem 85 anos de circulação ininterrupta e é parte da história e da educação das famílias de 50 países do mundo, em 21 idiomas. A imensa variedade de assuntos e os múltiplos critérios de abordá-los, constitui uma de suas marcas registradas. Recordo as leituras das Seleções em dois períodos: enquanto frequentava a universidade e durante os anos setenta. Como estudante, eu lia tudo o que atualmente se designa por “autoestima” e, mais tarde, as advertências sobre os males do fumo e os conselhos para deixar o vício. Os benefícios foram integrais: superei preconceitos e deixei o tabaco, embora sustente o princípio da autonomia da vontade e a liberdade para assumir hábitos de risco.

            Uma das seções de acesso nas Seleções era “O meu tipo inesquecível”. O título indicava o conteúdo. Algumas pessoas habitam permanentemente a nossa memória. A personalidade, modos de vida, talento, inteligência, simpatia ou outra característica própria as fazem distintas das multidões que passam.

            Um dos meus tipos inesquecíveis é o cidadão, advogado e intelectual, Eduardo Rocha Virmond. Eu o conheci nos anos cinquenta, quando ele já era um advogado bem sucedido, jornalista de talento e um crítico de arte, lúcido e vigoroso. Poucos anos depois e por algum tempo estivemos juntos vivendo as emoções da redação do Diário do Paraná. A sua produção de programas radiofônicos de música clássica e de jazz, com seleção de peças e comentários pontuais, marcou inesquecivelmente um estilo e uma qualidade profundamente distintos das ruidosas e não raro mercenárias apresentações atuais de disc jockeys, com os “sucessos” de ontem e de agora.

            Eduardo Rocha Virmond, membro da Academia Paranaense de Letras, foi o grande coordenador da VII Conferência Nacional da OAB (Curitiba, maio de 1978), um dos marcos da redemocratização do país, que se estava libertando das amarras da ditadura militar.

            No último dia 6, o plenário do Conselho Secional da OAB-PR aprovou, por unanimidade de votos, a concessão ao amigo e colega Virmond, a Medalha Vieira Neto, pelos relevantes serviços prestados à causa da Justiça e do Direito e à própria classe.

            Ele merece a homenagem. Não é um simples redator de (boas) petições ou apenas um (bom) tribuno forense. O laureado é, com lucidez e coragem, um crítico das mazelas da administração da Justiça. Com um detalhe de boa origem: durante muitos anos, ele foi colega de escritório do mestre Vieira Neto e um de seus mais fiéis e dedicados companheiros.


[1]              O tratamento do erro em um Direito Penal de bases democráticas, Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 2007, p. 75 e nota de rodapé nº 128.

[2]              Direito penal brasileiro I, 2ª ed. Rio de Janeiro: Revan, 2003, p. 226.

[3]              Direito Penal – Parte Geral, trad. de Fernando de Miranda, Coimbra: Coimbra Editora, Ltda, 1970, tomo II, p. 283.


 
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito e Justiça" de 22.11.2009.


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