Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
Encontro Nacional de Advogados Iniciantes (I):
René Ariel Dotti
Ética, sensibilidade, competência e os
novos causídicos
A subseção da OAB-PR de Maringá, apoiada pelos conselhos
estadual e federal, oferecerá, no Dia do Trabalhador,
um evento de grande importância. É o VII Encontro Nacional
dos Advogados Iniciantes. A rotina das atividades
acadêmicas e profissionais não têm dedicado maior atenção aos
principiantes. Algumas exceções são louváveis, como o projeto
bem sucedido da OAB-PR na gestão do Presidente Manoel Antonio
de Oliveira Franco, com a edição da obra A Advocacia
Iniciante e os Novos Rumos do Direito – Estudo Aplicado de
Filosofia do Direito, Direito Privado e Direito Público,
2006. De resto, os cursos de especialização, os seminários, os
painéis e até mesmo os congressos são produzidos para os
causídicos em geral.
O indispensável Exame de Ordem,
ao testar o conhecimento jurídico do candidato, não investiga
a capacidade funcional. O Exame é um crédito
institucional para o mercado de trabalho, um passaporte na
viagem da teoria jurídica para a prática forense. E nem pode
ser diferente. É verdadeira a frase que serve para todas as
profissões liberais: “Na prática a teoria é outra”.
A presença do bâtonnier Cezar
Britto na abertura, além de Alberto de Paula Machado e César
Augusto Moreno, presidentes do Conselho Federal, da secional e
da subsecional da OAB, prestigia o evento cuja marca deve ser
a audiência exclusiva de Advogados. Não é uma promoção
acadêmica ou de aprimoramento técnico quando se permite o
comparecimento e a participação (?) de estudantes. Também não
pode ser dirigido aos alunos de escritórios-modelo porque
eles, orientados pelos professores, não têm as
responsabilidades do mandato. O Encontro Nacional de
Advogados Iniciantes deve ter uma frequência exclusiva:
Advogados em começo de carreira. Ponto. Os eventos com
propaganda de especialização ou aprimoramento com certificados
de presença para os alunos têm um duplo inconveniente: da
linguagem e do aproveitamento. A exposição precisa ser
anfíbia, isto é, parte para os militantes da profissão e para
os que não sabem (ainda) se vão exercê-la. Nessas ocasiões, o
palestrante não agrada a metade do auditório e, certamente,
desagrada a outra. Isso é transparente quando os jovens
começam a debandar: alguns porque não entendem o “dialeto” da
exposição; outros porque têm algo mais importante para pensar.
Entre esses, estão os que “fazem o curso para namorar” e não
acham “nada legal” o que estão ouvindo.
Tenho a convicção de que a natureza e
os objetivos do evento e o compromisso de seus organizadores –
com destaque para o entusiasmo do colega Silvio Felipe Guidi –
não permitirão esse desvio de rumo.
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 05.04.2009.
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