Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
Modelos de administração do serviço da justiça (I):
René Ariel Dotti
Impressões e reflexos de uma cerimônia de grande destaque
Entre as inúmeras concepções da Justiça, como valor e
sentimento, há uma que a caracteriza como cósmica e
assim lembrada por um Filósofo contemporâneo: “Cumpre-se a
justiça somente quando se restaura a ordem originária, quando
se corrige, e castiga, o descomedimento. (...) Toda a
realidade, incluindo os seres humanos, deve ser regida pela
justiça. Esta pode ser considerada uma lei universal (que era
frequentemente personalizada). Esta lei mantém ou, ao menos,
expressa a ordem e a medida do cosmos inteiro e, por meio dela
se restabelece essa ordem ou medida tão logo ela é alterada”
(J. Ferrater Mora, Dicionário de Filosofia, trad. Maria
Stela Gonçalves e outros, São Paulo: Edições Loyola, 2001,
tomo II, p. 1616).
Independentemente das definições de múltiplas raízes e acentos
ideológicos, a Justiça é um serviço público essencial à
paz social e à segurança dos cidadãos. Nos Estados
Democráticos de Direito, a sua realização não é presente dos
deuses ou concessão parcial do feudo do príncipe. Ela é um
direito de todos obtido pela histórica luta da cidadania
contra as resistências dos estados totalitários.
Essas idéias se renovaram em minha mente ao assistir a recente
posse do novo superintendente da Polícia Federal do Paraná,
Delegado Maurício Leite Valeixo. Uma das importantes passagens
de seu lúcido e aplaudido discurso foi a afirmação de que a
segurança pública não pode ser encarada de forma isolada. A
conclusão que poderia parecer óbvia é, na verdade, a base de
um princípio elementar que explica a variedade das situações
em que o ser humano pode se encontrar: como protagonista do
drama criminal, como autoridade que aplica a lei ou como
cidadão comum. A nossa lei fundamental declara que a
segurança pública é um fenômeno de dupla face: é dever
do Estado e direito de todos.
Todos os oradores da mencionada cerimônia, desde o delegado
que se despedia do cargo até o governador Roberto Requião,
acentuaram a necessidade e a importância de duas exigências
fundamentais para o bom rendimento das atividades policiais: a
parceria com órgãos e instituições públicas e o aprimoramento
funcional dos servidores. Parceria e aprimoramento
passam a significar expressões altamente positivas do serviço
que, em última instância, cumpre o alto significado da
Justiça. Daí a existência de uma polícia judiciária com
as missões de prevenção e repressão das infrações penais.
Entre os órgãos públicos federais, estaduais e municipais da
parceria, foi destacada a colaboração da Justiça Federal,
representada na ocasião pelo magistrado Marcelo Malucelli,
diretor do foro da Justiça Federal do Paraná. (Segue).
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 22.02.2009.
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