Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
Os advogados podem fazer algo pelo Judiciário?
René Ariel Dotti
Antigas e novas formas de colaboração no interesse
público
Em discurso de posse na presidência dos Estados Unidos (1961),
John Fitzgerald Kennedy (1917 – 1963) proclamou: “Não
perguntem o que a pátria pode fazer por vocês. Perguntem o que
vocês podem fazer por ela”.
A antológica
frase introduz o artigo de hoje e tem como referência a posse
dos novos dirigentes do Judiciário paranaense. Os
Desembargadores Carlos Augusto Hoffmann, Ruy Fernando de
Oliveira, João Luis Manassés de Albuquerque, Waldemir Luiz da
Rocha e Rogério Coelho, assumem, respectivamente, os honrosos
cargos de Presidente, 1º e 2º vice-Presidentes,
Corregedor-Geral da Justiça e Corregedor Adjunto. Todos eles
são profissionais talhados pelo cinzel da experiência nos
caminhos complexos entre o fato e o direito. São trabalhadores
diuturnos no ofício da justiça.
Em cerimônias
desta natureza, os administradores que iniciam o mandato falam
sobre virtudes e esperanças da prestação jurisdicional, sem
esquecer de apontar algumas das imensas dificuldades que
encontrarão. O Poder Judiciário é permanentemente cobrado para
atender um dos princípios gerais de Direito, que desde as
fontes romanas ecoa na consciência e no coração dos bons
magistrados: suum cuique tribuere (dar a cada um o que
é seu).
Mas não tem
recebido do orçamento público – manipulado preconceituosamente
– recursos financeiros suficientes para efetivar a garantia
constitucional do tempo razoável do processo, com os meios que
permitam a celeridade de sua tramitação. Esse é o paradoxo
revelado pela crescente demanda após a Carta Política de 1988,
com a ampliação de direitos e interesses individuais e
coletivos.
O que precisa
(e deve) fazer o Judiciário em resposta a esse crônico
desajuste? Só existe uma opção: continuar lutando junto aos
demais poderes do Estado para obter o que lhe é devido. Para
essa missão heróica devem os juízes receber o apoio da
sociedade civil e, em especial, da Ordem dos Advogados. A
legitimidade dos advogados é proclamada pela Constituição ao
considerá-lo indispensável à administração da Justiça e ao
determinar sua participação no concurso de provas e títulos
para o acesso à carreira da magistratura.
Amanhã,
quando o Presidente Alberto de Paula Machado falar em nome de
nossa classe profissional, certamente renovará a manifestação
de apoio aos novos dirigentes da Corte. E com o mesmo
sentimento de esperança de quando, há dois anos, na posse dos
ora retirantes, defendeu a estatização das serventias do foro
judicial e outros ideais comuns.
Além do apoio
institucional, os advogados paranaenses podem colaborar em
projetos culturais e acadêmicos do Tribunal?
A resposta
vem de outro iluminado Presidente norte-americano, Barack
Obama: “Yes, we can” (sim, nós podemos).
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 01.02.2009.
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