Artigos do Prof. René Dotti publicados semanalmente no Breviário Forense (Jornal O Estado do Paraná) :
XX Conferência Nacional dos Advogados do Brasil
René Ariel Dotti
A Carta de Natal
e a Moção de Apoio à magistratura independente
Realizada na
cidade de Natal (RN), de 11 a 15 de novembro, a XX Conferência
Nacional da OAB reuniu mais de 5.000 participantes no Centro
de Convenções, para exposições
e debates sobre o tema central O Estado Democrático de
Direito X Estado Policial.
Como é
tradicional nesses encontros (realização bienal desde 1958 e
trienal a partir de 1999), as suas principais conclusões
integram um documento solene que traz o nome da cidade-local
do evento. Na comemoração dos 50 anos de edição, a Carta
de Natal contém reivindicações e afirmações sobre assuntos
da maior atualidade. Sob a máxima “Descumprir a
Constituição, jamais. Afrontá-la, nunca”, os causídicos de
várias partes do país sustentam que: a) “A anistia não
é amnésia”, insistindo na reabertura dos arquivos da ditadura
militar para um reencontro com a História recente; b) A
“constitucionalização do Brasil”, para se atender ao
clamor da sociedade que exige as reformas tributária e
política; c) O Estado deve conduzir suas ações dentro
dos limites dos direitos e garantias fundamentais do
indivíduo, “com rigorosa observância dos princípios a ele
inerentes”. A Carta de Natal foi redigida por uma
comissão da qual fez parte o Conselheiro Federal pelo Paraná,
Romeu Felipe Bacellar Filho.
·
· ·
Participei do
Painel nº IV, lendo o
Manifesto Em defesa das liberdades de convicção e
julgamento, que se opõe à criminosa devassa na intimidade
da vida privada e funcional de magistrados. Esse gravíssimo
fato foi denunciado pelo presidente do Supremo Tribunal
Federal, Gilmar Mendes, no final do julgamento do HC nº
95.009-4 (SP), na sessão do dia 6 do corrente mês. Ele revelou
que ocorreram interceptações telefônicas ilegais para
constranger ministros do Superior Tribunal de Justiça e do
Supremo Tribunal Federal às vésperas de julgamentos de casos
criminais famosos. Essa inusitada situação de anomalia foi
objeto de várias matérias nos jornais de domingo e
segunda-feira desta semana. Miguel Reale Júnior, em entrevista
para o suplemento Aliás, de O Estado de São Paulo,
refere-se contundentemente a essas formas de abuso de poder e
abuso de autoridade como “o país da bisbilhotice”.
Ao final de minha
exposição, apresentei duas Moções de Apoio que foram aprovadas
por aclamação, conforme proposta do ex-presidente nacional da
OAB, Reginaldo Oscar de Castro. A primeira,
colheu assinaturas dos presentes ao Manifesto referido acima e
que foi lido na sessão do dia 23 de setembro deste ano,
perante a 6ª Turma do STJ; a segunda, diretamente ligada ao
tema da preservação das liberdades de convicção e julgamento,
apóia “os Magistrados que, sem preconceito, temor ou
indiferença, efetivam os direitos e as garantias individuais
inerentes ao Estado Democrático de Direito e, em especial, ao
devido processo legal”.
* artigo publicado no jornal "O Estado do Paraná", caderno "Direito
e Justiça" de 23.11.2008.
|